A confusão mental, frequentemente chamada de delirium ou alteração cognitiva aguda, é comum após um AVC devido às alterações que ocorrem no cérebro. Mas como auxiliar o idoso nesse momento tão delicado? Neste artigo vamos abordar estratégias práticas para mitigar essas questões. 


Os efeitos cognitivos do acidente vascular cerebral

Os efeitos cognitivos de um AVC podem variar significativamente de pessoa para pessoa, dependendo da área e da extensão do cérebro afetadas. Um AVC pode causar danos temporários ou permanentes nas células cerebrais, afetando diversas funções cognitivas. Abaixo listamos alguns dos principais efeitos cognitivos que um indivíduo pode experimentar após um AVC:

  1. Perda de Memória: A perda de memória é um dos efeitos cognitivos mais comuns após um AVC. Dependendo da parte do cérebro que é afetada, os pacientes podem ter dificuldades para lembrar de eventos recentes (memória de curto prazo) ou de informações aprendidas anteriormente (memória de longo prazo).
  2. Dificuldades de Atenção e Concentração: Muitos sobreviventes de AVC enfrentam problemas para manter a atenção, o que pode manifestar-se como dificuldade em se concentrar em tarefas, facilmente distraídos ou incapazes de realizar multitarefas como antes.
  3. Problemas de Comunicação (Afasia): A afasia, que afeta a capacidade de falar, ler, escrever ou entender a linguagem, é comum, especialmente quando o AVC ocorre no hemisfério esquerdo do cérebro, que é a área geralmente responsável pela linguagem. Existem vários tipos de afasia, variando de leve (dificuldade em encontrar palavras) a grave (incapacidade de entender ou produzir linguagem falada ou escrita).
  4. Dificuldades de Processamento Visual: Algumas pessoas podem experimentar problemas com suas habilidades visuais e espaciais, incluindo a dificuldade para perceber profundidade, distância e a posição relativa de objetos no espaço. Isso pode afetar a habilidade de dirigir, ler, ou realizar tarefas simples.
  5. Alterações na Função Executiva: O AVC pode afetar a função executiva, que inclui habilidades como planejamento, organização, solução de problemas e tomada de decisões. Isso pode resultar em dificuldades para gerenciar as finanças, planejar atividades diárias ou tomar decisões informadas.
  6. Mudanças Comportamentais e de Personalidade: Alterações na personalidade e no comportamento também podem ocorrer. Alguns pacientes podem se tornar mais impulsivos, enquanto outros podem apresentar apatia ou depressão. Essas mudanças são frequentemente as mais desafiadoras para os familiares e cuidadores.

Abordando as alterações emocionais e comportamentais pós-AVC

Após um acidente vascular cerebral, muitos pacientes experimentam alterações emocionais e comportamentais significativas, que podem ser tão impactantes quanto as sequelas físicas. A depressão é uma das mais comuns e pode se manifestar devido à percepção da perda de independência e às dificuldades enfrentadas durante a recuperação. Além da depressão, muitos idosos podem exibir sinais de ansiedade, preocupados com a possibilidade de um novo AVC ou angustiados por não conseguirem realizar atividades que antes eram rotineiras.

Outro desafio emocional frequente é a irritabilidade ou mudanças abruptas de humor, que podem ser resultado direto de danos cerebrais ou de frustrações relacionadas às limitações impostas pelo AVC. Em alguns casos, os idosos podem apresentar alterações na regulação emocional, como chorar ou rir inapropriadamente, conhecido como labilidade emocional.

Essas alterações comportamentais e emocionais após um AVC necessitam de uma abordagem sensível e adaptada, envolvendo suporte psicológico e, quando necessário, intervenções médicas. A terapia pode ajudar a gerenciar a depressão e a ansiedade, enquanto grupos de suporte oferecem um espaço para pacientes e cuidadores compartilharem experiências e estratégias de coping. A comunicação aberta com profissionais de saúde e o apoio contínuo de familiares são fundamentais para ajudar o paciente a navegar por essas mudanças complexas, visando uma recuperação mais holística e integrada.


O papel da fisioterapia na recuperação cognitiva pós-AVC

A fisioterapia é tradicionalmente associada à recuperação física, mas seu papel na recuperação cognitiva após um acidente vascular cerebral (AVC) é igualmente vital. Durante e após o AVC, quando certas áreas do cérebro são danificadas, a capacidade do cérebro para processar informações pode ser afetada. A fisioterapia, ao incorporar exercícios que combinam atividades físicas e mentais, pode ajudar a estimular as funções cerebrais e facilitar a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões neurais.

Exercícios de fisioterapia que requerem atenção, memória e resolução de problemas podem melhorar a cognição. Por exemplo, tarefas que envolvem seguir instruções complexas ou sequenciais para movimentos físicos ajudam a melhorar a concentração e a função executiva. Além disso, exercícios que integram coordenação motora e habilidades cognitivas, como caminhar enquanto responde perguntas ou realiza cálculos, podem aumentar a capacidade de multitarefa e a agilidade mental.

A fisioterapia também promove a independência ao melhorar a mobilidade e a capacidade física, o que por sua vez pode ter um impacto positivo na autoestima e no humor, reduzindo sintomas de depressão e ansiedade que muitas vezes acompanham a recuperação de um AVC. Ao melhorar a capacidade física, os pacientes podem participar mais ativamente de suas rotinas diárias e sociais, o que estimula o cérebro de maneira constante e diversificada.

Outro aspecto importante é o ambiente estimulante que a fisioterapia oferece. O contato com terapeutas e outros pacientes durante sessões de fisioterapia fornece estímulos sociais e emocionais, que são cruciais para a recuperação cognitiva. Estar em um ambiente desafiador e de apoio encoraja os pacientes a se engajarem mais plenamente em suas terapias, o que pode acelerar a recuperação.


Tranquilizando e acalmando o idoso durante episódios de confusão mental

Tranquilizar e acalmar um idoso durante episódios de confusão mental requer uma abordagem cuidadosa, empática e paciente. Estes episódios podem ser desorientadores tanto para o idoso quanto para os cuidadores. Aqui estão algumas estratégias eficazes para lidar com esses momentos desafiadores:

Crie um Ambiente Calmo: Um ambiente tranquilo pode ajudar a reduzir a ansiedade e o estresse que acompanham a confusão mental. Reduza ruídos de fundo, como televisão ou rádio alto, e mantenha a iluminação suave e reconfortante. Um ambiente ordenado também ajuda a diminuir a confusão, então mantenha a área de vivência livre de desordem.

Comunique-se de Maneira Clara e Tranquila: Quando falar com um idoso confuso, use uma voz calma e suave. Faça contato visual e use frases curtas e simples. Evite fazer muitas perguntas de uma só vez ou dar comandos complexos. Permita tempo suficiente para que o idoso processe suas palavras e tente não pressioná-lo para responder rapidamente.

Mantenha a Consistência: Tente manter uma rotina diária regular, pois a consistência pode ajudar a diminuir a confusão. Estar em um ambiente familiar e seguir um cronograma previsível pode proporcionar conforto e segurança. Inclua atividades familiares e preferidas que sejam reconfortantes e que ajudem a orientar o idoso.

Utilize Técnicas de Reorientação: Se o idoso parecer desorientado, gentilmente o ajude a se reorientar. Isto pode incluir informar sobre a data, a hora ou o local onde ele está. Mostrar fotos de familiares e amigos ou objetos familiares também pode ajudar a trazer o idoso de volta a uma sensação de normalidade.

Acompanhamento Físico: Fornecer um toque suave e tranquilizador, como segurar a mão ou um abraço leve, pode ajudar a acalmar um idoso que está confuso. O contato físico pode transmitir segurança e reduzir a ansiedade.

Monitore a Saúde Física: A confusão mental pode ser exacerbada por problemas físicos, como infecções, desidratação ou desequilíbrios eletrolíticos. Certifique-se de que o idoso está recebendo os cuidados médicos adequados e monitorando regularmente sua saúde física.

Solicite Apoio de Profissionais de Saúde ou Cuidadores: Consultar regularmente profissionais de saúde é crucial. Eles podem oferecer estratégias adicionais e, se necessário, ajustar tratamentos ou medicações para ajudar a gerenciar a confusão mental.


Na Personale, somos especialistas em cuidados home care e oferecemos suporte especializado para idosos que estão se recuperando após um AVC. Nossa equipe é treinada para lidar com as nuances dessas condições, fornecendo cuidados personalizados que respeitam a individualidade e promovem o máximo bem-estar do idoso.

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