Comunicação

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"Quando a enfermeira chama o seu parente idoso de "docinho", ela pode fazer isso para ser gentil, mas usar essa linguagem infantilizada como nessa situação realmente pode ser bastante prejudicial, de acordo com uma pesquisa publicada no The Gerontologist da Universidade de Oxford".
Ann Brenoff

A infantilização da linguagem é caracterizada por uma fala lenta, entonação exagerada, volume elevado, com uso intencional de vocabulário simples e reduzida complexidade gramatical, mudanças no afeto, substituições de pronomes (?como estamos hoje?? Em vez de ?como você está? por exemplo), diminutivos e repetição. A conclusão é: pessoas idosas, especialmente aqueles com problemas cognitivos, realmente não respondem bem a esse tratamento.

Estudos mostram que os idosos com deficiências cognitivas que são tratados desta forma são menos propensos a cumprir e fazer o que está sendo solicitado a eles e/ou eles e vão reagir negativamente, geralmente ficando agitados e gritando.

Devemos usar tons de conversação afirmativa, contar piadas, histórias e, essencialmente, tratar o destinatário como "uma pessoa significativa sem se importar se eles conseguiam ou não entender", segundo Corwin é produtivo e o paciente responde bem.

O uso da linguagem infantilizada parte de nosso desrespeito cultural com os membros mais velhos da sociedade. Ainda, segundo Corwin, "Nós desvalorizamos pessoas que não são mais produtivas no sentido capitalista da palavra".

Quando a infantilização é usada pela enfermagem, distorce a autoavaliação do paciente e dá a sensação de que não são mais competentes ou valorizados.

É muito importante a maneira de falar com as pessoas mais velhas. A infantilização da linguagem afeta negativamente o senso de bem-estar dos idosos.

Devem-se evitar termos de carinho como: "querida", "lindinha" e "docinho".Essas palavras podem ser bem intencionadas e destinadas a mostrar bondade e carinho. Mas o que elas realmente fazem é "enviar uma mensagem aos idosos de que eles não são competentes".

É importante lembrar de que nem todas as pessoas mais velhas têm dificuldade auditiva ou é mentalmente incapaz de entender o que está acontecendo com elas. Dirigir-se a alguém, como se o idoso nem sequer estivesse no mesmo ambiente é muito comum em instituições de saúde.

Rever a comunicação faz-se necessário, assim como o comportamento em relação à interlocução. Alguns pontos a serem observados:

Use frases curtas e objetivas. No caso de pessoas idosas, evite tratá-las como crianças, utilizando termos inapropriados como "vovô" e "querido" ou ainda utilizando termos diminutivos desnecessários como "bonitinho", "lindinho", a menos que a pessoa goste.

  • Deve-se repetir a fala, quando essa for erroneamente interpretada pelo idoso, utilizando palavras diferentes.
  • Fale de frente, sem cobrir a boca, não se vire ou se afaste, enquanto fala, e procure ambientes iluminados para que a pessoa, além de ouvir, veja o movimento dos lábios da pessoa que fala com ela, assim entenderá melhor.
  • Aguarde a resposta da primeira pergunta antes de elaborar a segunda, pois o idoso pode necessitar de um tempo maior para entender o que foi falado e responder.
  • Não interrompa o idoso no meio de sua fala, demonstrando pressa ou impaciência. É necessário permitir que ele conclua o seu próprio pensamento.

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